domingo, 3 de abril de 2011

9-

John acordou preocupado no dia seguinte, mas seguiu os planos como Susan quis. Ela ficou trabalhando no celeiro, brincando com as ferramentas e mexendo com o feno. Eram duas horas quando ele saiu, seguindo para a cidade de moto.

Foi diretamente ao armarinho da cidade, comprando várias garrafas d’água e salgadinhos. Todos o olhavam com suspeita enquanto ele caminhava até sua moto. Olhou em seu relógio, e tinha ficado quase uma hora fora. Resolveu voltar, mas assim que subiu na moto um garoto, com pouco mais de 16 anos, aproximou-se.

- Puxa vida moço, que moto legal essa...

- Hm... Agradeço. – John abaixou a tampa do capacete, indicando impaciência.

- Qual modelo da Harley é? Posso dar uma volta?

- Você não deve conhecer, e não, não pode.

- Mas puxa, é meu sonho, tio! Vamos lá, só uma voltinha!

- Não, garoto. Estou com pressa e quero ir embora.

- Você vai me dar uma carona, ou acabo com você! – o garoto tirou um canivete da mochila.

John teve de se controlar para não rir. Tirou o capacete e o encarou, com os olhos faiscando.

- Sai daqui, moleque, ou vai se machucar.

- Tá achando que é de brinquedo, tá? Mas não é não, é de verdade!

Nisso, o garoto avançou para John, que deu um passo para o lado e atingiu o garoto no braço com o capacete. Ele derrubou o canivete, e o matador o chutou para um bueiro próximo, ignorando os pedidos do outro.

- Cuidado com quem você se mete. – ele sibilou, subindo da moto e acelerando.

Ao passar pela casa achou estranho todas as luzes estarem apagadas. Entrou no celeiro e ao descer da moto e seguir para a porta, ouviu fracamente:

- J, abaixa!

Nem pensou duas vezes e se jogou no chão, e um tiro passou próximo a sua cabeça. Escondeu-se atrás de uma das vigas, e gritou:

- Quem está aí?

- Se você sair agora daqui, eu não o mato! Vai logo! – uma forte voz masculina, com sotaque italiano, gritou.

- E se eu rejeitar a proposta? – começou a se arrastar para o outro lado da viga, tentando encontrá-los.

- Vai morrer e vê-la ser morta também! – atirou contra um monte de feno próximo a John, que tirava a própria arma do cinto.

Começou a se arrastar, até que conseguiu vê-los. Era um homem corpulento, com um bigode ralo, que pesquisava todo o celeiro, mirando com a arma segurada com uma única mão. A outra mantia a boca de Susan fechada. Ela estava com vários cortes pelos braços e pescoço, fora um olho roxo. Ele sangrava nas pernas e seu grande nariz curvado parecia quebrado. John queria atirar nele, mas não podia: Susan cobria grande parte dele.

Ele então saltou por cima do feno, vendo que conseguia distrair o outro, que começou a atirar aleatoriamente, até ele voltar a se esconder atrás de uma máquina da fazenda. Respirou fundo.

- Quanto tempo acha que vai conseguir se esconder? Acha que ela vai agüentar, é? – Susan deu um grito agudo, e John atirou próximo deles para poder ver o que acontecia.

O homem a apunhalara no ombro, e era possível ouvir seus gritos mesmo com a grande mão do homem cobrindo sua boca. Ela chorava incontrolavelmente.

- Susan... Você tem que confiar em mim. Eu o tenho na mira. Mas você está atrapalhando. – John gritou, com a arma apontada para a mão do homem. Atirou.

Ouviu um grito, e um barulho de ferro caindo no chão. Ouviu o ferro se arrastando, e Susan voltando a gritar.

John correu rumo a escada, ainda abaixado, e pôde ver que o matador estava tentando estrangulá-la. Ela mordeu a mão dele, então, e abaixou a cabeça, de forma que o outro pôde atirar na cabeça do italiano, que soltou a moça, caindo desmaiada.

Correu na direção dela, e sentiu-lhe o pulso. Mal respirava, e sangrava muito no ombro. Remexeu em seus bolsos, e encontrou o atestado de casamento que falsificaram. Pegou o celular e ligou para a emergência:

- Emergência? Minha esposa foi atacada por um maluco em um celeiro perto de Ravetown, na estrada 502 e está sangrando muito! Mandem uma ambulância o mais rápido possível! Por favor!

Depois de vários minutos, John pôde ouvir o som das sirenes, e desceu correndo carregando Susan nos braços. Teve de dar muitas explicações enquanto aguardava que ela saísse da emergência, mas conseguiu contornar qualquer suspeita, e a morte do assassino foi considerada legítima defesa por todos que ouviram a história – policiais e médicos, no caso.

Quando o médico veio dar o diagnóstico, logo foi dizendo:

- Ela vai ficar bem, não é doutor? Nada sério? Sem chances de morte?

- Ela está com um pulso quebrado, teve uma grande hemorragia mas conseguimos estancar. Quanto ao sufocamento, não chegou a sofrer danos do esôfago e tampouco ficou sem oxigênio por um tempo que levasse a maiores problemas. Só acho bom que ela passe a noite aqui, pois ela está sedada, e amanhã podemos dar alta.

- Obrigado, doutor. Posso vê-la?

- Pode passar a noite com ela, se desejar. Tem uma poltrona ao lado da cama.

John acenou com a cabeça, aliviado. Sentou-se ao lado da cama e observou Susan, engessada, agora com uma marca roxa adicionada a fina cicatriz do corte que ele mesmo fizera ali. Viu a outra mão dela repousada na cama, e a segurou. Jurou ali que não a deixaria mais sozinha, mesmo que ela pedisse. Sentiu uma lágrima escorrendo pelo seu rosto, e a secou, chocado. A última vez que chorara foi quando seus pais partiram, há muito tempo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

8

John não demorou muito para encontrar a loja de aluguel de roupas. Entregou ambas e deixou uma boa gorjeta para a atendente, que sorriu-lhe e passou-lhe seu número de telefone. Ele riu. Não conseguia evitar de exercer seu ofício, aparentemente. Olhou para o relógio. Quinze para meio-dia. Apressou-se para chegar ao restaurante, receoso por ter deixado Susan desprotegida no hotel.

Ao chegar lá, fez seu pedido usual e sentou-se para esperar. Meio dia e dez. Até meio dia e meia ele sairia. No entanto, a comida demorou para chegar.

Meio dia e meia. Ele chamou um garçom para reclamar, mas sem sucesso. Uma hora. Levantou-se e seguiu para a porta, mas a recepcionista não o deixou sair. Bufou, e tornou a sentar, preocupado.

Uma e meia. John dirigia-se para a gerência quando viu Susan entrando, de óculos escuros, jeans e camiseta. Suspirou aliviado, e seguiu para ela.

- Desculpe a demora, mas o pedido não chega e já faz uma hora...

- Relaxe, J... – ela sentou, colocando o cabelo para trás – A idéia original era vir aqui de qualquer forma. Temos que nos mover, sugiro ir para algum lugar no interior.

- No interior? E por quê? – John perguntou, desconfiado.

- Não leu nenhum dos artigos que eu te passei? – ele percebeu que ela tremia levemente – Um dos pontos de venda dos produtos roubados de Walter fica há umas duas horas daqui. Acho que é um bom lugar para procurá-lo.

- Certo. E é melhor tirar os óculos para comer, Susie. – sorriu.

Susan tirou os óculos quando o almoço chegou, e John não pôde deixar de notar que estavam vermelhos.

- Você... Esteve chorando?

- Não seja absurdo. Acho que não dormi direito. – replicou, ríspida.

- Não estava assim de manhã.

- O que isso importa, de qualquer forma? Estou com fome.

Os dois passaram o resto do almoço em silêncio e seguiram para o estacionamento como se não estivessem juntos. John parou próximo a uma banca, e comprou o jornal para onde Susan escrevia após ler a manchete:

Novo ponto de depósito de drogas desmascarado, por Susan Roth”

Seguia-se então um texto sobre a apreensão de muitos produtos contrabandeados e drogas no prédio onde ele deixara Susan após seus encontros, alguns dias atrás. Sentiu-se burro. Ele foi a cobertura perfeita para ela. O que mais ela tramava agora? Estaria usando-o de novo?

Chegou em sua moto pronto para gritar com a jornalista, mas a visão dela sobre sua moto, olhando para o nada com os óculos escuros, e como seu corpo se ajustava com as curvas da moto o fez dizer fracamente:

- Então você me usou?

- Oi? – Susan viu o jornal – Bom, nada mais justo.

- O que quer dizer com isso? – ele retrucou.

- O óbvio. Você ia me usar. Eu usei você. Precisava de algum jeito de me aproximar do prédio sem atrair atenção, e você foi o jeito perfeito para isso. Afinal, todos eles sabem que eu não ando em uma moto desde... – parou abruptamente – Não importa. Já passou. Agradeço a ajuda. Agora vamos?

- Temos que pagar a conta do hotel.

- Já fiz isso. – ela jogou um capacete para ele, colocando o seu. – Eu dirijo?

- Tá maluca? Ninguém dirige minha Harley. Pode ir pra trás.

John ignorou a careta que Susan fez, e acelerou. Seguiu pelos caminhos que ela indicava, e de quando em quando balançava a moto para que ela se segurasse com mais força. Adorava essa proximidade, e percebeu que ela também ao parar no posto e a moça nem se mover.

- Preciso descer para colocar a gasolina, Susie... Controle-se.

- Para de se achar tanto, J! – lhe deu um tapa.

- Jamais, ou perco todo meu charme. – piscou, enchendo o tanque – Por que essa coisa de J?

- Te dá mais opções pra outros nomes. – deu de ombros – Se não gosta, posso mudar.

- Preferia... Querido, Benzinho, Amor... – se curvou na direção dela até que seus narizes encostassem.

- O tanque está cheio, J. Hora de ir. – ela virou para o lado oposto, não deixando de sorrir.

John riu e voltou a dirigir. Susan apontou para uma estrada vicinal que levava a um velho chalé, de uma tia distante que nunca estava lá e sempre deixava seus parentes usarem. Ele não acreditou muito, mas não via outra escolha senão segui-la. Estacionou no celeiro grande e vazio, seguindo para a casa.

- Parece mal assombrada. – ele sussurrou.

- Abandonada, eu diria. Não vêm muitas pessoas aqui. Afinal, a cidade fica a quase meia hora de carro e o isolamento não é atraente para a maioria das pessoas. – Susan deu de ombros – Podíamos dar uma limpada.

- Aaah, isso é com você. Vou ler alguns dos seus artigos, enquanto isso.

Susan bufou, mas não viu escolha após entrarem na casa em si. A camada de poeira no chão e nos móveis era espessa, e havia teias de aranha sobre as paredes. Então ela logo começou a fazer a limpeza, enquanto John permanecia sentado no sofá estudando com afinco os dados obtidos.

Pediram uma pizza para jantar, e sentaram-se um em cada ponta do sofá, com as pernas sobrepostas.

- E agora, Susan? Você pode falar por que não?

- John...

- Eu acho que merecia saber, se vou confiar em você.

- Você já teve alguém, mesmo com essa sua vida? – ela sussurrou.

- Na verdade, não. Nunca conheci alguém que valesse a pena. Sempre fui um solitário, desde que meus pais se mudaram para a Rússia, quando eu tinha uns 19 anos. - deu de ombros – Nada importante, já sabia me cuidar. Sua vez.

- Eu fui casada... Até quatro anos atrás. – a voz dela mal saía, e olhava fixamente para o chão.

- E o que houve? – John perguntou, após alguns minutos de silêncio.

- Ele era meu fotógrafo. Conseguimos manter o relacionamento em segredo por muito tempo, mas então... – ela engoliu em seco – Walter descobriu. Scott estava tirando fotos para uma matéria minha... E tomou seis tiros. Eu nem teria ficado sabendo... Mas ele teve direito a um último pedido. Me ligou, pedindo para que eu parasse de escrever sobre Walter...e dizendo que sempre me amaria, e que não se arrependia de nada. – secou uma lágrima que escorria – Não tive mais ninguém, desde então.

- Eu... Sinto muito, Susie. – John se aproximou e a abraçou – Eu não sabia.

- Nem tinha como, não é? Mas já passou. Só não quero que se repita. – suspirou – Amanhã devíamos dar uma volta pela cidade, procurando alguma coisa suspeita... Ver se descobrimos onde fica o depósito. Certo?

- Tudo bem. Mas não acho que o lugar pareça suspeito...

- Olha lá. O matador está aprendendo a pensar... – Susan sorriu, levantando-se – Boa noite, J.

- Sofá pra mim? – John olhou-a com biquinho.

- Sofá pra você. – continuou sorrindo, subindo para o quarto.

Os dois passaram a manhã seguinte examinando a cidade. Não tinha mais do que quatro quarteirões, e os prédios, sem sua maioria, eram de restaurantes e pequenos hotéis, além de casas familiares. Nenhum com mais de quatro andares.

Ao se aproximarem do prédio mais distante da cidade – um bar, chamado Lord Peano – Susan tremeu.

- O que houve? – John sussurrou.

- George Peano foi um matador muito famoso quando eu era criança... Acho horrível um lugar ter seu nome. Acredito que seja este o local que procuramos. – ela sussurrou de volta.

- Devemos ficar de olho... Procurar algum tipo de movimentação?

- Acho que sim. Olha, ali na frente tem um restaurante... Vamos almoçar.

John concordou com a cabeça, e seguiram para lá. Havia mesas do lado de fora, e lá eles sentaram. Passaram um bom tempo observando em volta e conversando com a garçonete, que disse que o Peano não era um lugar bem freqüentado – os delinqüentes da cidade costumavam se reunir lá, fora alguns forasteiros que nunca ficavam mais de um dia lá.

Ao retornarem para a fazenda, ficaram um bom tempo quietos, pensando.

- Vamos entrar lá amanhã à noite. Acho bom você sair a tarde e comprar algumas provisões. Devo ficar bem.

- Susie, acho que você se arrisca quando me pede isso. Não é uma boa idéia. – John suspirou.

- Mas é o melhor que se tem a fazer... Boa noite, John.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

4-

Jennifer não pôde dormir. Passou a noite sonhando com possíveis tarefas e só então percebeu quão apavorada ela estava. Suspirou aliviada ao lembrar que só tinha dois tempos de aula, antes e depois do almoço, então desceu para tomar café calmamente.

Ao sentar-se à mesa, vários alunos a ficaram observando, e ela viu Clov levantando-se da mesa da Sonserina para sentar-se com ela.

- E então campeã, teve uma boa noite de sono?

- Acredito que seja perceptível que não, Clov. – Jen sorriu, apontando para seu cabelo mal arrumado em uma trança apressada.

- Não pode ser diária essa sua falta de sono, moça... Ou vai ficar cansada demais para qualquer coisa. – ele a observou com os olhos brilhando.

- Procurarei me lembrar disso...

- Bom dia Jen, Clov... – João disse, bocejando – Estou atrasadíssimo. Trato das Criaturas Mágicas.

- Eu te acompanho até o canteiro... Preciso de um pouco de ar. Até depois, Clov. – ela acenou, seguindo John porta afora.

Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Jennifer detestou isso, pois ouviu diversos comentários de como ela não sobreviveria a primeira tarefa de quase todos por quem eles passaram no caminho.

- Ele tá super afim de você, sabe disso? – João falou, cutucando-a nas costelas.

- Não seja bobo. – ela riu, com cócegas – Tá, talvez. Mas não quer dizer nada.

- É o primeiro cara bonitão que te aparece depois de... você sabe, e vai rejeitá-lo? Tá maluca?

- Quem disse que vou rejeitá-lo? Eu só não tenho tempo pra isso. Tenho que pensar em como passar nas tarefas e tudo o mais... – suspirou.

- Tem seu tutor para te ajudar nisso, Jen. Vai vê-lo hoje. – João lembrou-a – E amanhã tem tempo para relaxar, já que vamos a Hogsmead.

- Dou mais duas horas para Mary te chamar dessa vez – sorriu. – E você tem que aceitar. Eu nem sei se vou de qualquer forma.

- Está certo, mas não diga que não ofereci... – acenou, seguindo para o canteiro onde a aula já começara.

Jennifer sentou em uma pedra, com visão do canteiro. Pôde ver que eles tratavam de explosivins, e que João fazia par com Mary durante a aula. Ganhara a aposta, então... Com certeza. Ficou imaginando quem seria seu tutor, e passou o resto do dia ansiosa para descobrir a resposta.

A noite chegou logo, e Jen sentava-se com João e Kibble. Symons estava em detenção com a professora McGonagall fazia umas três horas, limpando todos os armários da professora, depois de ter feito uma estampa não lisonjeira no seu irmão-poltrona. Estavam discutindo sobre quadribol, e como seria estranho não ter o campeonato esse ano.

O salão foi esvaziando, e pouco antes das oito só restava Jennifer lá, sentada à mesa da Corvinal, estudando um livro de feitiços.Ela o ouviu chegando antes de ele se anunciar, e já se levantara e começara a subir ao mesmo tempo que ele pronunciava as palavras.

- Jennifer Skole... Então serei seu tutor, novamente.

- Novamente? – ela parou no primeiro degrau – Que eu saiba, estudávamos juntos. Totalmente diferente.

- Eu sempre estive alguns anos a frente. Então eu te ajudava.

Ela o olhou então. Nunca o vira tão sério, com uma expressão tão dura e severa... Com tanta frieza ao encará-la. Sentiu-se mal então, como se aquela expressão estivesse exterminando-a por dentro...

- Não quero que você seja meu tutor. – disse, seca.

- Ou era eu, ou o Slughorn, e no momento acredito que eu saiba mais do que você precisa do que ele. – Luke replicou, ríspido.

- Ótimo. Hoje era só apresentação ou já quer ensinar-me algo?

- Talvez devesse te ensinar a ter mais respeito com seus professores. 10 pontos da corvinal por isso.

- Não lhe faltei com o respeito... – “Está sendo injusto..” ela o olhou, arregalando os olhos.

- Sem direito de questionamento. Sugiro nos vermos em minha sala todos os dias, às oito, a partir de amanhã.

- Ok. “Como se eu tivesse escolha.”

- Tem. Se vire sozinha e morra lá... – ele subiu alguns degraus, olhando-a de canto. “Estúpido.”, Jennifer sussurrou enquanto o observava subir.

“Descerebrada.”, Luke replicou, acelerando o passo.

Ela socou a parede e sentou-se, esperando a calma chegar. Ao alcançá-la, voltou para o dormitório, onde mais uma vez passou uma noite cheia de sonhos, onde na maioria morria na primeira tarefa com todos os seus amigos rindo.

No dia seguinte, João realmente conseguira combinar com Mary novamente. Jennifer então seguiu para Hogsmead com Kibble e Symons. Ao chegar na cidade, começaram a discutir onde iriam, e os gêmeos acabaram indo para a Zonko’s enquanto ela foi direto para o Cabeça de Javali. Sentou-se no balcão.

- Um Whisky de fogo, por favor.

O atendente levantou uma sobrancelha, mas serviu-lhe. Quando estava prestes a virar, uma mão segurou seu copo.

- Não vai te fazer bem. – Luke, sussurrou.

- Não te importa. – Jen o ignorou, tomando um gole, que desceu queimando por sua garganta e a fez tossir.

- Eu disse.

- E disse muitas outras coisas. Então, vou continuar te ignorando. – e continuou a tomar.

- Desculpe por ontem. Acho que me exaltei. – ele sussurrou, tomando um gole de cerveja amanteigada. Como a garota nada disse, continuou: - É só que não é bom ver alguém tão jovem arriscando a própria vida assim por nada, além de glória e dinheiro...

- Se você acha que é por isso que me inscrevi, tá na cara que você não me conhece mais. – levantou, após terminar seu copo.

“Jenny...” Ela mal viu seus lábios se moverem.

- Não, Luke. Nada de Jenny. Nada com relação a mim é da sua conta, como você mesmo diz e demonstra. – ergueu a mão quando ele tentou se pronunciar – Não quero ouvir mais você.

E saiu, secando as lágrimas no caminho.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

7

Susan suspirou aliviada. Passara a noite em claro, e o ponto chave para que seu plano funcionasse era tirar John do quarto. Pegou seu celular da bolsa e ligou para o Survey’s:

- Bom dia, aqui é Susan Roth... Meu namorado, Julian vai passar aí para pegar almoço para nós em pouco tempo, mas eu estou querendo fazer uma surpresa... Mas só poderei chegar depois da uma e meia. Será que tem como vocês enrolarem ele um pouco por mim? – ela sorriu ao ouvir a atendente afirmando – Certo. Muito obrigada, até breve.

Isso me deixa cerca de duas horas para acabar tudo..., pensou. Já fechara a conta do quarto, o que a deixaria sair mais rápido. Pegou então a chave que escondera sob o travesseiro e se dirigiu para o guarda-roupa, de onde tirou sua agulha (com algum veneno na ponta) e a faca de John, ambas escondidas em seu par de botas.

Saiu do quarto e seguiu para um outro no final do corredor, fechando a porta atrás de si, tensa. Reservara aquele número em seu nome, de forma a atrair mais atenção.

Após a noite de pesquisas, concluiu que o homem que lhe oferecera bebida na noite anterior nada mais era que Stewart Johnson, matador de aluguel. Pelos crimes anteriores dele, Susan assumiu que ele veria John saindo do prédio e resolveria atacá-la. No entanto, teria que encontrar o quarto onde estava, o que ela facilitou ao criar a reserva em seu nome. Posicionou-se atrás da porta, para surpreendê-lo assim que entrasse – já não precisava de mais informações sobre quem o mandara ou o por quê. Quanto mais rápido acabasse com isso, melhor. Passou seu batom vermelho novamente, e então esperou.

domingo, 16 de janeiro de 2011

6 - Sem Título

Quando acordou no dia seguinte John achou estranho Susan ainda estar dormindo – e ainda por cima abraçando seu braço compulsivamente. Observando-a mais atentamente, reparou que ela estava com olheiras de quem não dormira por muito tempo. Olhou para o relógio: 11:14. Suspirou. Começou a levantar, mas assim que soltou seu braço da moça, ela sentou-se com um pulo.

- O que? Que horas são?

- Onze e quinze. Parece que você deu uma de bela adormecida ruiva hoje. – John sorriu, vestindo uma camiseta.

- Falou o belo adormecido. Você nem se mexe dormindo. É impressionante. – ela entrou no banheiro após pegar uma roupa, saindo trocada.

- Acho que bebi mais do que o normal. Geralmente tenho o sono leve, mas não lembro de você seqüestrando meu braço...

- Eu não o seqüestrei. Senão teria pedido o resgate antes que você levantasse. – ela sorriu.

- Ainda há tempo hã – piscou, sorrindo de volta.

- Não... Na verdade não há mesmo! – Susan se levantou de repente – Você tem que devolver as roupas alugadas até o meio dia... Para não pagarmos multa, entende?

- Está sugerindo que eu saia e te deixe sozinha, aqui? – levantou uma sobrancelha.

- Sim. O que pode acontecer dentro de um super hotel seguro como este? Pode ir, e aproveita e passa no Survey’s pra pegar almoço. Vou ligar para fazer o pedido quando você sair.

- E se acontecer alguma coisa? – John disse, com a mão na maçaneta.

- Erro meu, eu me responsabilizo. Mas calma, Johnny, você exagera...

- Quer dizer então – ele riu – que você pode me chamar de Johnny e eu não posso te chamar de Susie?

- Xo, bobo. – ela riu, fechando a porta com ele do lado de fora.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sem Título - 5

Na manhã seguinte, John acordou com o celular tocando.

- Venom? Não vi nada nos jornais. O que isso quer dizer?

- Ela é muito esguia, Walter. Não consegui pegá-la ainda.

- Você tem sorte de eu ainda não ter te pago, e de não saber quem é! – Walter gritou ao telefone – Mas saiba que se eu o encontrar... Considere-se tão morto quanto Roth!

Desligou. John suspirou. Isso podia manchar o nome dele pra sempre. Começava a achar que era um tolo, quando Susan passou vestindo um roupão azul. Ele fingiu dormir para poder ficar observando-a, enquanto colocava o café para fazer. Ao ficar na ponta dos pés para pegar o pote de açúcar, levantou-se furtivamente e colocou-se atrás dela, prendendo-a contra o balcão.

- Hm... Café da manhã? – sussurrou ao pé do ouvido da moça.

- Diria só café. É muito cedo para você estar acordado e poder comer. – ela pegou o açúcar e colocou sobre o balcão.

- O problema é que estou com fome... – ele disse, beijando-a no pescoço.

- Se vire, então... – acotovelou-o no estômago, se desvencilhando e seguindo para seu quarto.

John demorou um pouco para recobrar o fôlego, e quando o fez a campainha tocou.

- Abra a porta, por favor! – Susan gritou do quarto.

Ele resmungou e abriu a porta. Lá estava um homem baixo, careca, de meia idade, com um olhar transtornado atrás de grossos óculos de grau. Mediu-o completamente, antes de falar.

- Susan está?

- Por parte de quem?

- Will Jones, chefe dela.

- Ah, desculpe... Pode entrar, ela já vem. – John abriu passagem para o homem.

- E quem é você, posso saber?

- Julian. Sou o encontro de Susan dessa noite. – ele sorriu, apertando a mão de Will.

- Hm. Ela realmente devia parar de arrumar caras só pra esses eventos. – Will resmungou, e teria continuado se Susan não tivesse saído do quarto, quase correndo.

- Sr. Jones, não o esperava tão cedo...

- Vim saber da matéria. Você disse que teria uma escrita hoje, sem falta, e ainda não recebi. Já são 7:30 e isso é estranho para os seus padrões.

- Houve um problema... E eu atrasei um pouco. Mas aqui está. – ela passou-lhe um papel, escrito a mão.

- Não teve tempo nem de digitar? – Will bufou, mas começou a ler a matéria.

- Não. E falando em tempo, vou ter que viajar por um certo período... Se eu encontrar alguma coisa envio por correio.

- Estranho. E absurdo você viajar depois disso. Está excelente! Mas tem certeza?

- Passei a maior parte da madrugada confirmando. Pode publicar, que até o fim do dia a polícia confirmará. – Susan sorriu.

- Acho bom. Vai precisar do carro para ir pra festa?

- Seria bom. Às nove?

- Certo. Vejo vocês dois lá. – Will disse, saindo logo em seguida.

Susan sentou, suspirando longamente. John ficou parado o tempo todo, observando-a. Cansou de esperar que ela falasse e resolveu começar.

- Sobre Walter?

- É. Achei que fosse um bom jeito de ele ficar sabendo que você não me achou ainda.

- Como vamos fugir depois se estaremos com o carro do jornal?

- Fácil. A tarde você leva sua moto já para a região, e depois a gente se vira. – Susan deu de ombros – Você tem preguiça de pensar.

- A parte de pensar é toda sua. Não tenho smoking para usar.

- Passe na Tender’s no caminho. Já está reservado.

- Como? – ele levantou uma sobrancelha.

- Algumas pessoas gostam de acordar às seis da manhã. Obviamente, não é seu caso. Café?

John ficou assistindo-a fritar os ovos e o bacon, nervoso. Logo saiu e fez o que precisava fora de casa, conferindo os preparativos da viagem durante o resto do dia.

Faltando quinze minutos para as nove, ele terminava de arrumar sua gravata, acreditando que Susan ainda não estaria pronta. Bateu na porta do quarto, e entrou ao ouvi-la permitir. Ela estava se olhando na frente do espelho, usando um vestido preto longo, com as costas à mostra, sem o zíper fechado. Se sentiu culpado, pois o corte se sobressaía na brancura da pele da moça, e ele não pôde deixar de ficar olhando. A frente era um pouco mais aberta, e um colar com um pingente de cristal pendia de seu pescoço, combinando com os brincos e o coque que fizera.

- Você pode fechar? O movimento dói para mim.

Ele acenou com a cabeça. Demorou mais do que o necessário, acariciando toda a pele que podia alcançar no caminho, e percebeu que o cabelo da nuca de Susan ficou arrepiado ao fazê-lo. Ficou parado ali, com o rosto sobre o ombro dela, sorrindo para a imagem corada no espelho.

- Pronto. Linda como sempre, só um pouco mais majestosa. – sorriu de forma sedutora.

- Acha que me ganharia só nessa? – ela saiu de perto, passando um batom avermelhado.

- Não. Mas não desisto. – sentou-se displicentemente na cama, observando-a.

- Está perdendo seu tempo. – passou rímel, depois virou-se para ele.

- Discordo...

Ouviu a campainha. Suspirou, e ambos foram para o carro.

- Não acho uma boa idéia irmos a essa festa. – John disse, ao observar os fotógrafos se amontoarem ao redor da porta.

- É em comemoração a um prêmio que ganhei, pela matéria que te rendeu esse emprego e me rendeu a morte comprada. – Susan ofereceu-lhe um chapéu.

- Ahh, então você quer comemorar minha companhia? – ele piscou, colocando o chapéu de forma a ocultar quase todo seu rosto.

Susan revirou os olhos e desceu do carro assim que a limusine parou. John a acompanhou, mantendo-se meio afastado e com o rosto encoberto. Ficou observando como a moça lidava bem com a imprensa, sorrindo para todas as fotos, mesmo com seu passo apressado. Subiram até a cobertura do hotel.

John tentou evitar, mas não pôde deixar de ficar boquiaberto com o ambiente. Um lustre de cristal gigantesco pendia no centro do salão, iluminando uma pista de dança onde vários convidados dançavam, com grandes mesas cheias de aperitivos e bebidas ao redor. Susan logo pegou dois copos servidos por um garçom jovem na hora, passando um para o outro.

- Não vamos demorar... Aceitaremos cumprimentos, não comeremos muito, evite bebidas alheias. E o mais importante: sem gracinhas.

- Tá bom, mamãe. – John sorriu, tomando um gole.

Susan o apresentou a várias pessoas como Julian, seu novo namorado agente de viagens, e como eles fariam um tour por várias cidades do país como pré lua-de-mel. John quase chegou a acreditar nela, e se limitava a sorrir e a acenar.

Após algumas horas disso, Susan sentou-se em uma das mesas enquanto John ia buscar mais um copo de champagne para si. Ele já se sentia mais leve, mas acreditava ser melhor ficar assim um último dia, antes de ter que começar a ficar alerta. Enquanto observava em volta, notou um homem de bigodes oferecer um drink à Susan, que sorriu amigavelmente aceitando a bebida, e sentiu-se irritado. Ela recusara todos que ele oferecera; o que aquele homem velho, de bigodes, tinha que ele não tinha? Aproximou-se da moça, abaixando-se.

- Gostaria de dançar, Susie? – sorriu, irônico.

- Com licença, senhor. – ela sorriu – Devo me dedicar a meu encontro agora.

- A vontade, senhorita. – o homem de bigodes disse, fazendo uma mesura.

John demorou um pouco para se dirigir à pista de dança. Não esperava que ela aceitasse e levou alguns segundos até perceber que ela o fizera. Assim que começaram a dançar, ele notou que sua parceira estava tensa, olhando ao redor.

- Susan, o que foi? – sussurrou.

- Acho que é melhor irmos. Estamos sendo vigiados. – ela respondeu ao pé de seu ouvido.

- Esperto o vigia. Estando em um lugar onde não podemos vê-lo...

- Eu não estou paranóica. Sei que estamos sendo observados. Quero ir. Anda. – ela o puxou em direção a saída.

- Pois eu acho o contrário, Susie... Acho que você está ficando absolutamente maluca.

- E eu acho que você tem que parar de me chamar de Susie. Não tenho mais cinco anos. – ela praticamente esmurrou o botão para descer do elevador, que não tardou a chegar.

- Mas você fica linda frustrada. Isso não vale nada? – John acariciou o rosto de Susan levemente.

- N-não. Pare com isso. Você bebeu demais. – ela se afastou. – Que bom que eu fiz o check-in antes de subirmos.

- Se estamos sendo observados, acho que perceberam isso...

- E ainda quer que eu aceite elogios. Absurdo. – Susan saiu do elevador, seguindo para sua suíte.

- Você que acha que são elogios. – sorriu, apoiado no batente – Só divulgo meus pensamentos.

- Vai entrar ou ficar aí, nessa... pose? - Susan piscou rapidamente.

John não sabe o que viu no olhar dela naquele momento, nem ao menos se lembra de onde veio o impulso que teve. Só sabe que estava na porta e então segurava o rosto de Susan entre suas mãos e a beijava. De início, tentou se soltar; beijou-o de volta, mais ansiosamente do que ele; desistiu... puxou-o pela gravata, soltando-a, apertando-o contra si. Surpreso, ele só a beijou de volta, acariciando seu longo cabelo ruivo, seu pescoço, suas costas... Ao começar a puxar o zíper de seu vestido, no entanto, foi arremessado ao chão. Atordoado, não conseguiu entender o que acontecera. Observou Susan se levantar e entrar no banheiro, batendo a porta atrás de si.

Esfregou os olhos, pensando o que ele fez de errado dessa vez. Tirou a camisa e trocou as calças do smoking por outras de moletom, sentando-se na cama com a cabeça entre as mãos. Susan saiu do banheiro também de pijamas, com os olhos avermelhados, ele viu por entre os dedos de sua mão. Sentiu um peso a seu lado no colchão.

- Não posso John. Por mais que eu queira.

- Por quê? – ele a olhou.

- Não suportaria... perder mais um. – ela sussurrou tão baixo que John quase não a ouviu.

- Mais um o que?

- Não me faz falar. Por favor. – ela passou para o outro lado da cama, virando de costas.

Ele suspirou, começando a se levantar.

- Fica. Eu... confio em você.

John levantou uma sobrancelha, surpreso. Não achava que merecia tal confiança.

sábado, 11 de dezembro de 2010

4-

A casa de Marta era o oposto da de Susan. Havia muitos vasos de flores, cortinas absurdamente floridas e móveis de várias cores. O sofá era de um vermelho vivo, chamativo, e muito confortável. John ficou sentado ali, enquanto ouvia as duas moças na cozinha, arrumando a mesa e terminando os pratos.

- Então, quer dizer que arrumou um namorado? – ele ouviu Marta sussurrando.

- Ah... Mais uma companhia temporária, Marta. – pôde notar o tom de escárnio na voz de Susan, e se ressentiu.

- Tem certeza que é só isso, querida? E essa marca no seu pescoço?

- Shh... – Susan abaixou o tom de voz – Nós temos um trato agora. Ele não vai mais tentar me matar. Vai me proteger. Ou tentar. Não deixe que ele saiba que você esta a par de tudo...

Elas ficaram em silêncio depois disso, ou o barulho da louça era mais alto do que a conversa, pois John não pôde ouvir nada. Então a velhinha havia percebido. Por um momento pensou em fugir, mas pelo tom de Susan achou que seria desnecessário. Talvez tivesse sido tudo um plano, para que ele não possa realmente mudar de idéia e matá-la, agora que tinha uma testemunha. Não podia ter certeza, a moça era mais esperta do que ele queria.

Não demorou para que o chamassem à mesa. Sentaram-se e comeram, com Marta desempenhando bem seu papel enchendo John de perguntas sobre sua vida profissional. Ele inventou ser um agente de viagens, por isso passava muito tempo fora de casa, motivo pelo qual Susan ficaria um pouco fora.

Ele também descobriu algumas coisas da senhora, como o fato de ela ter sido uma dançarina famosa em sua juventude, e que mesmo tendo sido casada, não pôde ter filhos. Foi assim que ela praticamente adotou Susan como sua quando ela se mudou, já que os pais da jornalista haviam falecido há alguns anos.

Após algumas horas Susan se desculpou, dizendo que tinham algo a fazer, e subiram. Ao chegarem no andar superior, ela foi direto para seu quarto, voltando com um grosso livro sem capa, sentando-se ao lado de John do sofá.

- Notas de aula? – ele perguntou, irônico.

- Quase isso. Notas de crimes conhecidos de assassinos por contrato, e a maioria de artigos sobre os crimes que Walter comanda. – ela folheou as páginas, como se estivesse procurando algo específico.

- Como você descobriu Walter?

- Não descobri, na verdade. – sorriu – Sei tudo que ele fez, faz e talvez até o que planeja fazer. É o mesmo esquema de sempre, tráfico de dinheiro, drogas, produtos. Cada vez de um jeito diferente. Só é possível perceber a assinatura se conhecer os detalhes de cada um deles.

- E qual é ela?

- Como se eu fosse contar a você, não é mesmo?

- Como quer que eu brigue contra algo que nem ao menos conheço? – John acertou uma almofada em Susan, frustrado.

- Conhecimento – ela apontou para si mesmo – Força bruta. – apontou para ele.

- Não acho isso muito justo.

- Então estude sozinho e descubra. – ela arremessou o livro contra John.

- Vamos passar a noite aqui? – ele segurou o livro agilmente, seguindo-a.

- Ninguém nos viu. Preciso ler um pouco e juntar material. Você também.

- E por que você não fica aqui estudando comigo? – disse, segurando-a pelo pulso.

- Penso melhor sozinha. – sorriu.

- Precisa aprender a pensar em grupo. – John puxou-a para mais perto.

- Falou o cara com o trabalho mais solitário do mundo. – empurrou-o.

- Talvez se eu tivesse a sua companhia abrisse uma exceção... – disse ironicamente.

- Pena... – ela se virou, entrando em seu quarto e batendo a porta.

John sorriu para a porta fechada. Então ela não tinha mentido quando dissera “Só hoje” no dia anterior. E ainda tinha muitas coisas a esconder, depois daquela estranha conversa com a vizinha.

Resolveu seguir o conselho de Susan, lendo a coletânea de artigos que ela cedera. Realmente, só após terminar de lê-los a altas horas da madrugada pôde perceber a marca de Walter em todos os crimes: Sem pistas. Nenhuma impressão digital. E quando a carga é encontrada, é totalmente abandonada.

Nessa hora ele também percebeu que deveria dormir ali mesmo, no sofá. Pelo menos havia algumas almofadas, nas quais logo se acomodou e dormiu.

Nos dois dias seguintes também não saíram da casa. Ficaram bolando planos para os próximos passos, e Susan lembrou que tinha de ir a uma festa na quinta-feira à noite. Como eles supunham que até lá Walter já saberia da falha, escolheram um hotel não muito longe do local.

Nesta última noite na casa, John dormia pesadamente no sofá de novo. Sentia um pouco de frio e acordou levemente, percebendo que um cobertor estava sendo colocado sobre si. Por reflexo, puxou a mão que segurava a coberta, e Susan caiu sobre ele com um resmungo.

- Estava esperando, é? – ela tentou puxar seu braço.

- Torcendo seria mais adequado – sorriu, tirando uma mecha de cabelo do rosto da moça.

- Ok. Achei que estivesse com frio. Gostaria de voltar a dormir, por favor. – outra tentativa.

- Mas aí você vai ficar com frio. Afinal, aqui o cobertor é natural. – acariciou o rosto dela levemente.

- Prefiro tecidos sintéticos...

- Não adianta mentir. Já estava pensando em mim antes, é óbvio. – ele puxou-a até ficar a alguns centímetros de Susan.

- Não sonho com assassinos, John. – a respiração dela se tornara pesada, tensa.

- E com seguranças particulares? – a cada palavra ele beijou o rosto dela em lugares diferentes.

- O salário é bom? – sorriu, aproximando-se.

- Excelente. – John levantou levemente sua cabeça, até os lábios encostarem nos dela, afrouxando o aperto do pulso.

- Prefiro empregos mais seguros. – ela disse, sem desencostar os lábios, levantando e indo para seu quarto em seguida.

John a assistiu, sorrindo.